GORDOFOBIA: POR QUE DEVEMOS FALAR SOBRE ISSO?

Nem sempre o peso de uma pessoa está relacionado ao estado de saúde dela e esse julgamento acontece ainda mais quando falamos sobre corpos gordos, infelizmente. Pessoas gordas sofrem diversos tipos de preconceitos e intolerâncias todos os dias por causa de sua aparência e, na maioria das vezes, eles vêm disfarçados de preocupação ou elogio. A esse tipo de atitude é dado o nome de gordofobia.

A gordofobia é tão grave quanto racismo, homofobia e a violência contra a mulher, por exemplo. Isso porque, pessoas que sofrem com ataques gordofóbicos podem internalizar essas críticas, abalando sua autoestima e bem-estar. Dessa forma, a gordofobia pode contribuir para o desenvolvimento de diversas doenças psicológicas, como a depressão, ansiedade e estresse. Por esse motivo resolvemos falar sobre isso esse mês, em que é celebrado o Setembro Amarelo que trata, além da prevenção ao suicídio, de outras causas de saúde mental. Se você quer entender mais sobre o assunto, continue lendo nosso texto.

O que, de fato, é a gordofobia?

É o nome dado para todo e qualquer ato de discriminatório e preconceituoso direcionado a uma pessoa “acima do peso” ou “obesa”. Geralmente esses ataques acabam não sendo percebidos com facilidade, podendo aparecer em conversas consideradas inofensivas ou em campanhas de publicidade, por exemplo. Isso acontece por conta de crenças sociais que vem sendo construídas e difundidas desde o período medieval, de que o corpo gordo é algo ruim. Dessa forma, é comum – infelizmente – que pessoas gordas sejam vistas como doentes, preguiçosas ou desleixadas, por exemplo.

Sendo assim, a gordofobia é a aversão ao corpo gordo e acontece quando essas pessoas são julgadas como inferiores, incapazes ou qualquer outra forma de desqualificação, apenas por conta de seu biotipo. Infelizmente, apesar de ser um termo relativamente novo, ele está mais enraizado no nosso cotidiano do que imaginamos. Desde transportes públicos não adaptado, postos de atendimento que não contam com macas ou cadeiras para atender pessoas gordas, a canais de comunicação que vendem dietas malucas e o corpo magro como ideal de saúde e autoestima.

Diferença entre gordofobia e pressão estética

Diferença entre gordofobia e pressão estética

Apesar de parecer igual, a principal diferença entre os dois termos é que a pressão estética atinge todas as pessoas, já a gordofobia atinge apenas as pessoas gordas.

A pressão estética diz respeito ao julgamento que as pessoas sofrem por conta de qualquer parte da aparência delas. Sendo assim, ela é aplicada não só sobre o peso ou biotipo das pessoas, mas também sobre seu cabelo, formato dos olhos, altura, jeito de se vestir, dentes e as mais diversas informações que compõe um padrão de beleza imposto pela sociedade. Dessa forma, a pressão estética é capaz de deixar qualquer pessoa insatisfeita com a sua aparência, desde que ela não se encaixe em um suposto padrão.

Já quando falamos sobre gordofobia, nós limitamos o tipo de preconceito e o grupo de pessoas que sofre com ela, ou seja, estamos falando sobre a aversão ou preconceito aplicado a todas as pessoas gordas ou consideradas “acima do peso”.

A gordofobia, além de preconceito, deve ser vista como uma estrutura social. Isso porque, ela não trata apenas de fazer uma pessoa não se sentir bonita, mas também de não oferecer espaço para essa pessoa na sociedade ao não proporcionar espaços acessíveis para ela, como catracas maiores em ônibus, por exemplo.

Por que ela é perigosa?

Além de ser um comportamento desprezível, ele afeta a vida de pessoas que sofrem esses ataques tanto de forma física, quanto psicológica. Isso porque, como dissemos no começo, tanto homens, quanto mulheres que são considerados acima do peso têm sua saúde mental afetada todos os dias. Isso acontece principalmente ao ouvirem diversos comentários gordofóbicos como “você é tão bonito(a) de rosto, não pensa em fazer uma dieta?”.

Junto com os comentários preconceituosos, acontecem também as situações constrangedoras ao frequentarem lugares que não são acessíveis aos seus corpos, por exemplo. A junção de todas essas situações desagradáveis e ofensivas pode levar ao desenvolvimento de transtornos como depressão, ansiedade e outros, podendo até evoluir para casos de tentativa de suicídio.

Outro problema causado pela gordofobia é que, ao assumirem que corpos gordos são sinônimo de doenças e corpos magros sinônimos de saúde. Muitas pessoas se submetem a dietas absurdas e altas cargas de exercícios por causa disso, por exemplo. Essas práticas podem ser extremamente prejudiciais para a saúde, contribuindo para que pessoas saudáveis, ainda que consideradas acima do peso, desenvolvam de fato doenças perigosas por causa das dietas sem acompanhamento. Já no caso dos exercícios, o perigo é de causar lesões gravíssimas durante a prática excessiva, por exemplo.

Gordofobia - Como combater?

E como combater a gordofobia?

Atitudes gordofóbicas têm sido cada vez mais apontadas como algo ruim e discutidas pela sociedade. Além disso, todos os dias surgem novas campanhas em mídias sociais, propagandas de grandes marcas e instituições de saúde que promovem a aceitação do próprio corpo, independentemente do tamanho ou peso, desde que ele seja saudável.

Apesar disso, a gordofobia não é uma luta ganha. Ainda temos um longo caminho pela frente até conseguir tornar nossa sociedade mais inclusiva com corpos que estão fora dos padrões de beleza impostos. Para te ajudar a refletir sobre o assunto e policiar suas falas que podem ser gordofóbicas, separamos algumas dicas do que não falar ou fazer.

  • Não associe o biotipo de uma pessoa a um tipo de comportamento. Ser gordo não é sinônimo de ser preguiçoso ou guloso, por exemplo.
  • Não relacione a beleza de uma pessoa ao seu peso. Beleza é algo relativo e não está associada somente a magreza. Devemos lembrar aqui que muitas pessoas perdem peso de forma não saudável, como por conta de distúrbios alimentares, e isso não é bom, certo?
  • Não use essa característica física para identificar alguém. Falas como “aquele gordinho ali”, ou “aquela gorda que foi na loja” podem ofender quem está sendo apontado.
  • Presumir que uma pessoa gorda é alguém que está tentando emagrecer e falhando é errado.
  • Evitar o uso de termos como “gordinho”, “fofinho”, “gordelícia” é o mínimo que devemos fazer.
Todas as famílias merecem ter um plano de saúde

Você já tinha ouvido falar sobre gordofobia antes? Já vivenciou alguma cena que tinha esse tipo de atitude vergonhosa como plano de fundo? Conta pra gente se você se sentir confortável com isso.

Aceitar nossos corpos e ajudar outras pessoas aceitar os delas, mesmo que esses sejam diferentes dos padrões impostos pela sociedade, é uma forma de cuidado e #CuidarÉColetivo.

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